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🇫🇷Francês

Palavrões em francês: 15 expressões comuns por gravidade

Por SandorAtualizado: 11 de abril de 20269 min de leitura

Resposta rápida

Os palavrões em francês vão de exclamações suaves como 'Zut' (bolas) e 'Mince' (raios) a insultos fortes como 'Enculé' e 'Nique ta mère.' Ao contrário do inglês, a linguagem obscena em francês recorre muito a vocabulário escatológico e sexual na França metropolitana, enquanto os palavrões do Quebeque se baseiam quase totalmente em termos religiosos católicos (tabernac, câlice, ostie). Este guia reúne 15 termos essenciais, ordenados por gravidade, para compreender conversas reais, filmes e séries.

Porque Precisas de Conhecer Palavrões em Francês

Não consegues compreender totalmente o francês real sem compreender a sua linguagem obscena. O francês é falado por mais de 321 milhões de pessoas em cinco continentes, e os palavrões estão entranhados na conversa informal do dia a dia, no cinema, na música e nas redes sociais. Este guia não serve para te incentivar a dizer palavrões, serve para te ajudar a reconhecer e compreender o que inevitavelmente vais ouvir.

A linguagem obscena em francês funciona de forma diferente da do português (Portugal) em aspetos fundamentais. Enquanto o português (Portugal) vai buscar muitos palavrões a referências sexuais e escatológicas, a linguagem obscena em francês divide-se em dois sistemas distintos, dependendo da geografia. O francês metropolitano apoia-se em referências sexuais (putain, enculé), termos escatológicos (merde) e insultos ligados ao corpo (connard, salaud). O francês do Quebeque constrói todo o seu sistema de palavrões a partir de vocabulário litúrgico católico, um fenómeno a que os linguistas chamam sacres e que não tem um verdadeiro equivalente em nenhuma outra língua ocidental.

"French profanity is not merely a collection of taboo words but a complex sociolinguistic system reflecting centuries of religious, sexual, and class-based tensions. The geographic split between Metropolitan and Québécois swearing is one of the most striking examples of cultural divergence within a single language."

(R. Anthony Lodge, A Sociolinguistic History of Parisian French, 2004)

Segundo o Ethnologue (2024), o francês é língua oficial em 29 países, e cada região francófona desenvolveu o seu próprio vocabulário obsceno, moldado pela história e cultura locais. Uma palavra que provoca risos em Paris pode causar ofensa real em Montreal, e expressões comuns em Abidjan podem ser totalmente desconhecidas em Bruxelas.

Se ainda estás a aprender o básico, este guia dá-te uma janela para o registo emocional que os manuais ignoram por completo. Vê a nossa página de aprendizagem de francês para mais recursos.

⚠️ Uma nota sobre uso responsável

Este guia tem fins educativos e de compreensão. Usar estas palavras de forma descuidada, como falante não nativo, pode causar ofensa real ou criar situações perigosas. A regra de ouro: se não dirias palavrões nesse contexto em português (Portugal), então também não os digas em francês.


Compreender a escala de gravidade

Severity Scale

Mild

Everyday expressions. May raise eyebrows in formal settings but generally acceptable among friends.

Moderate

Clearly vulgar. Common in casual speech but inappropriate in professional or formal contexts.

Strong

Highly offensive. Can provoke strong reactions. Use with extreme caution or avoid entirely.

O contexto muda tudo na linguagem obscena em francês. Murmurar "Merde!" quando entornas café é mild. Gritar "Putain!" entre amigos próximos a ver um jogo de futebol é moderate. Chamar "Enculé!" a alguém num episódio de fúria na estrada é strong e potencialmente perigoso.


Expressões mild

São termos de entrada que vais ouvir constantemente na conversa quotidiana em francês e em filmes em francês. A frequência de uso suavizou muito o impacto, e alguns são considerados quase nada vulgares.

1. Zut

Ligeiro

/zewt/

Bolas / Chiça: uma exclamação muito suave de frustração ou surpresa.

Uma das exclamações mais suaves em francês. É segura em quase qualquer contexto, incluindo à volta de crianças e no trabalho. Muitas vezes alonga-se para 'zut alors!' para dar ênfase. Os mais novos podem considerá-la um pouco antiquada, mas continua muito usada.

Zut, j'ai oublié mon parapluie!

Bolas, esqueci-me do guarda-chuva!

📍

Universal em todas as regiões francófonas. Uma das poucas exclamações em francês que praticamente não traz risco social.

2. Mince

Ligeiro

/mahns/

Bolas / Chiça: um eufemismo para 'merde.'

Funciona como a versão socialmente aceitável de 'merde', mantendo o som inicial 'm' e trocando por uma palavra inofensiva (mince significa literalmente 'magro/fino'). É muito comum entre pessoas que querem mostrar frustração sem usar palavrões. Muitas vezes alonga-se para 'mince alors!'

Mince, le magasin est déjà fermé!

Bolas, a loja já está fechada!

📍

Universal nos países francófonos. É especialmente comum em contextos familiares e em ambientes profissionais.

3. Merde

Ligeiro

/mehrd/

Merda: o palavrão francês mais universalmente reconhecido.

O equivalente francês de 'merda' em português (Portugal). É tão usado que perdeu grande parte do choque como exclamação. Curiosamente, artistas franceses dizem 'merde!' antes de entrar em palco, como em português (Portugal) se diz 'partir uma perna'; desejar 'bonne chance' é considerado azar. A investigação de Timothy Jay (2009) identifica-o como uma das palavras tabu mais frequentes em todas as línguas românicas.

Merde, j'ai raté le bus!

Merda, perdi o autocarro!

📍

Universal em todos os países francófonos. A palavra vem do francês antigo e aparece em textos do século XII. Na Bélgica, 'merde' tem o mesmo peso que em França.

4. Sacré bleu

Ligeiro

/sah-KREH bluh/

Santo céu / Valha-me Deus: um juramento arcaico que faz referência ao azul do manto da Virgem Maria.

Em tempos foi um juramento realmente blasfemo (uma contração de 'sacré Dieu', Deus sagrado, alterada para evitar blasfémia direta), mas hoje é quase totalmente arcaico. Os falantes atuais de francês raramente o usam sem ironia. Sobrevive sobretudo em estereótipos em meios de comunicação em inglês sobre os franceses. Quando aparece hoje, costuma ser humorístico ou deliberadamente antiquado.

Sacré bleu, il fait un froid de canard!

Santo céu, está um frio de rachar!

📍

Apenas em França metropolitana, e em grande parte obsoleto. Falantes mais jovens podem usá-lo de forma irónica. É muito mais famoso entre falantes de português (Portugal) por via de estereótipos do que entre falantes reais de francês.

5. Chialer

Ligeiro

/shee-ah-LAY/

Chorar/choramingar: implica queixa patética e excessiva.

Um verbo depreciativo que sugere que alguém está a ser melodramático ou fraco. Não é um palavrão clássico, mas funciona como insulto leve. É comum na fala informal para mandar alguém parar de se queixar: 'Arrête de chialer!' (Para de choramingar!). É mais depreciativo do que propriamente obsceno.

Arrête de chialer, c'est pas si grave.

Para de choramingar, não é assim tão grave.

📍

Comum tanto em França metropolitana como no Quebeque, embora no Quebeque seja ainda mais frequente e possa soar um pouco mais agressivo.


Expressões moderate

A linguagem obscena moderate é onde o francês fica realmente vulgar. Estas palavras são comuns em contextos informais (bares, entre amigos próximos, locais de trabalho informais), mas são claramente inadequadas em contextos formais. Segundo Lagorgette (2019), a linguagem obscena moderate em francês cumpre uma função crucial de solidariedade, sinaliza confiança e intimidade entre falantes. Vais ouvi-las muitas vezes ao ver filmes franceses ou ao ouvir conversas de nativos.

6. Putain

Moderado

/pew-TAHN/

Foda-se / Porra / Puta: o palavrão francês mais versátil e mais usado.

Originalmente significava 'prostituta', mas putain sofreu um grande esvaziamento semântico. Como exclamação, exprime desde frustração até espanto ou admiração. Um estudo de corpus de 2018 sobre diálogos de filmes franceses concluiu que era o impropério mais comum. Liga-se a outras palavras para dar ênfase: 'putain de merde' (fucking shit), 'oh putain' (oh fuck). A versatilidade lembra a de 'foda-se' em português (Portugal).

Putain, c'est magnifique ce coucher de soleil!

Foda-se, este pôr do sol é magnífico!

📍

Dominante em França metropolitana e amplamente compreendida em todas as regiões francófonas. No sul de França (Marselha, Toulouse), 'putain' aparece ainda mais, muitas vezes contraído para 'putaing' com final nasal.

7. Bordel

Moderado

/bohr-DEHL/

Bordel: usado como exclamação com o sentido de 'porra!' ou 'foda-se!'

Literalmente significa 'bordel', mas funciona quase como 'putain' enquanto exclamação isolada. Muitas vezes combina-se com 'de merde' para intensificar: 'Bordel de merde!' (Fucking hell!). É um pouco menos comum do que 'putain', mas tem peso semelhante. Também descreve confusão: 'C'est le bordel!' (Isto está uma confusão do caraças!).

Bordel, qui a laissé la porte ouverte?

Foda-se, quem deixou a porta aberta?

📍

Sobretudo em França metropolitana. É bem compreendido na Bélgica e na Suíça. É menos comum no Quebeque, onde os sacres dominam o papel de exclamação.

8. Connard / Connasse

Moderado

/koh-NAHR / koh-NAHS/

Idiota do caraças / Cabra: vem de 'con' (vulva), um dos insultos mais comuns em francês.

'Connard' (masculino) e 'connasse' (feminino) são insultos padrão em francês para uma pessoa estúpida e desprezível. Vêm de 'con' (um termo vulgar para genitais femininos, do latim 'cunnus'), embora a maioria dos falantes já não faça essa ligação de forma consciente. 'Con' sozinho significa 'idiota' e é mais leve: 'T'es con' (És idiota) é casual, enquanto 'connard/connasse' é um insulto a sério.

Ce connard m'a coupé la route!

Aquele idiota do caraças cortou-me a estrada!

📍

Universal em França metropolitana. No sul de França, 'con' usa-se tão livremente que quase vira uma muleta neutra, semelhante a 'boludo' no espanhol da Argentina.

9. Salaud / Salope

Moderado

/sah-LOH / sah-LOHP/

Cabrão / Puta: insultos com género que implicam depravação moral.

'Salaud' (masculino, cabrão) sugere um homem moralmente corrupto ou desprezível. 'Salope' (feminino) é bastante mais ofensivo, junta a ideia de promiscuidade sexual a desprezo geral. A assimetria lembra 'cabrão' vs. 'puta' em português (Portugal), a forma feminina carrega mais peso social. No ensaio de 1948 'Qu'est-ce que la littérature?', Jean-Paul Sartre declarou de forma célebre 'tous les hommes sont des salauds' (todos os homens são cabrões).

Quel salaud, il a menti à tout le monde.

Que cabrão, mentiu a toda a gente.

📍

Universal em França metropolitana e na Bélgica. No Quebeque, 'salaud' é compreendido mas menos comum, os falantes do Quebeque usam mais sacres para ênfase emocional.

10. Ta gueule

Moderado

/tah GUHL/

Cala a puta da boca: literalmente 'o teu focinho.'

'Gueule' significa literalmente a boca ou focinho de um animal. Dizer a alguém 'ta gueule' é o equivalente vulgar de 'ferme-la' (cala-te). Entre amigos próximos, em tom de brincadeira, pode ser jocoso. Dito a sério, é agressivo. A versão completa é 'ferme ta gueule', mas a forma abreviada 'ta gueule' é muito mais comum.

Ta gueule, j'essaie de dormir!

Cala a puta da boca, estou a tentar dormir!

📍

Universal em todas as regiões francófonas. É uma das primeiras expressões vulgares que muitas crianças francesas aprendem e usam.

11. Dégueulasse

Moderado

/day-guh-LAHS/

Nojento / Repugnante: uma expressão forte de repulsa ou condenação moral.

Vem de 'gueule' (boca/focinho), com o prefixo 'dé-' a intensificar o sentido. Usa-se para coisas fisicamente nojentas ('Les toilettes sont dégueulasses', as casas de banho estão nojentas) e para comportamentos moralmente reprováveis ('C'est dégueulasse ce qu'il a fait', o que ele fez é repugnante). Muitas vezes encurta-se para 'dégueu' na fala informal.

C'est dégueulasse, il a trompé sa femme trois fois.

Isso é repugnante, ele traiu a mulher três vezes.

📍

Universal em França metropolitana e na Bélgica. Abrevia-se muitas vezes para 'dégueu' na fala informal em todas as regiões.


Expressões strong

Estas expressões podem acabar amizades, começar lutas e causar dano real. Compreendê-las é essencial para perceberes o que ouves, mas usá-las como falante não nativo é quase sempre má ideia.

⚠️ É preciso cautela séria

As expressões abaixo são altamente ofensivas. Algumas podem provocar violência física. Estão aqui apenas por motivos educativos, para as reconheceres em meios de comunicação ou em conversa.

12. Enculé

Forte

/ahn-kew-LAY/

Literalmente 'aquele que foi sodomizado': usado como insulto forte com o sentido de 'cabrão' ou 'filho da puta.'

Um dos insultos de uma só palavra mais fortes em francês. O sentido literal refere sexo anal e traz conotações homofóbicas, o que o torna especialmente carregado. É comum em fúria na estrada ('Enculé, tu sais pas conduire!') e em estádios de futebol. Apesar da gravidade, aparece muitas vezes em fala informal acalorada.

Enculé, rends-moi mon argent!

Seu cabrão, devolve-me o meu dinheiro!

📍

Sobretudo em França metropolitana. Existe a forma feminina 'enculée', mas é menos comum. Na Bélgica, tem o mesmo peso. No Quebeque, preferem-se sacres para intensidade emocional equivalente.

13. Foutre

Forte

/FOO-truh/

Foder: um verbo vulgar versátil com muitas derivações e expressões.

Um verbo antigo do francês com o sentido de 'foder' que gera muitas expressões: 'je m'en fous' (estou-me a cagar), 'va te faire foutre' (vai-te foder), 'foutre le camp' (pôr-te a andar), 'fous-moi la paix' (deixa-me em paz, caralho). A expressão 'va te faire foutre' é uma das rejeições mais fortes em francês.

Va te faire foutre, je ne veux plus te parler.

Vai-te foder, não quero mais falar contigo.

📍

Universal em França metropolitana. 'Je m'en fous' (não quero saber) é tão comum que quase não soa vulgar, enquanto 'va te faire foutre' continua realmente forte. O particípio passado 'foutu' (fodido, arruinado) é moderate: 'C'est foutu' (Está fodido/arruinado).

14. Nique

Forte

/neek/

Foder: um verbo usado sobretudo em insultos fortes e expressões muito vulgares.

Derivado do árabe 'nik' (ter relações sexuais), este verbo entrou na gíria francesa através da imigração do Norte de África. O uso mais notório é na expressão 'nique ta mère' (fode a tua mãe), que está entre os insultos mais ofensivos em francês. Também aparece em 'je nique tout' (estrago tudo / domino). Está fortemente associado à cultura juvenil das banlieues (subúrbios).

(No casual usage example: this word is primarily used in serious insults or very crude language.)

Esta palavra usa-se quase só em insultos fortes ou em contextos agressivos.

📍

França metropolitana, sobretudo em zonas urbanas com comunidades significativas da diáspora norte-africana. A etimologia árabe torna-a um caso interessante de como a imigração molda os palavrões. É praticamente desconhecida no Quebeque.

15. Casse-toi

Forte

/KAHS-twah/

Põe-te no caralho / Desaparece: uma ordem brusca e vulgar para ires embora.

Uma ordem agressiva para alguém sair imediatamente. Ficou internacionalmente famosa em 2008, quando o presidente francês Nicolas Sarkozy disse a um homem que o insultava 'Casse-toi, pauvre con!' (Desaparece, seu idiota patético!) no Salon de l'Agriculture, um momento que se tornou marcante na sua presidência. A frase junta agressividade física ('casser' significa 'partir/quebrar') com desprezo.

Casse-toi, je ne veux plus te voir!

Põe-te no caralho, não te quero ver mais!

📍

Sobretudo em França metropolitana. No Quebeque, é mais provável que se use 'décrisse' (de 'crisse', um sacre) com força equivalente.


Comparação regional

A mesma emoção produz vocabulário radicalmente diferente, dependendo de onde se fala francês. Eis como conceitos obscenos comuns variam no mundo francófono:

ConceitoFrançaQuebequeBélgicaÁfrica Ocidental
"Fuck!" (exclamação)Putain!Tabernac!Putain! / Nom de Dieu!Putain! / Wallaye!
"Shit!"Merde!Merde! / Câlice!Merde!Merde!
"Idiota/Asshole"ConnardNiaiseux / ÉpaisDikke nek (Bruxellois)Imbécile / Con
"Go fuck yourself"Va te faire foutre!Va chier! / Décrisse!Va te faire foutre!Va te faire!
"Damn" (mild)Zut! / Mince!Tabarnouche!Sapristi!Walaï!
"Shut up"Ta gueule!Farme ta yeule!Ta gueule!Ta gueule! / Ferme ça!

🌍 Sacres do Quebeque: um sistema de palavrões construído a partir da Igreja

A linguagem obscena do Quebeque é um dos sistemas de palavrões mais únicos do mundo do ponto de vista linguístico. Enquanto o francês metropolitano vai buscar muito ao sexo e às funções corporais, o Quebeque construiu todo o seu vocabulário vulgar a partir de objetos litúrgicos católicos: tabernac (tabernáculo), câlice (cálice), ostie (hóstia), ciboire (cibório), crisse (Cristo) e sacrament. Estas palavras podem encadear-se para aumentar a intensidade: "Ostie de câlice de tabernac!" é mais ou menos equivalente a "Holy fucking goddamn shit!" A linguista Annette Paquot (2015) liga este fenómeno à Revolução Tranquila dos anos 1960, quando os quebequenses se revoltaram contra o domínio total da Igreja Católica na educação, na saúde e na vida social. Profanar objetos sagrados tornou-se um ato linguístico de libertação cultural. Cada sacre também tem uma forma eufemística suavizada: tabernac torna-se tabarnouche, câlice torna-se câline, ostie torna-se ostination e crisse torna-se crime. Um falante de francês metropolitano, ao ouvir estes sacres pela primeira vez, muitas vezes acha-os estranhos em vez de ofensivos, porque as palavras não têm carga vulgar em França. Mas no Quebeque continuam a ser os palavrões mais fortes disponíveis.


Eufemismos em francês

O francês tem uma longa tradição de suavizar palavrões, mantendo o ritmo e os sons iniciais da palavra original, mas substituindo por algo inofensivo:

Original (vulgar)EufemismoSentido literal
Merde (merda)Mince / MercrediMagro/fino / Quarta-feira
Putain (puta/foda-se)Purée / PunaisePuré de batata / Pionés
Bordel (bordel)Bord de merBeira-mar
Nom de Dieu (nome de Deus)Nom d'un chienNome de um cão
Enculé (cabrão)(no common euphemism)-
Tabernac (Quebeque)Tabarnouche(sem significado)
Câlice (Quebeque)CâlineAbraço/carinho
Ostie (Quebeque)Ostination(sem significado)

💡 Eufemismos como estratégia de aprendizagem

Se queres soar natural em francês informal sem risco, domina 3 a 4 eufemismos por região. Em França, Purée!, Mince! e Nom d'un chien! ajudam muito. No Quebeque, Tabarnouche!, Câline! e Crime! são seguros e muito usados. Mostram competência emocional na língua sem ultrapassar limites sociais. Falantes de francês belga também usam muito Sapristi! e Nom de nom! como exclamações leves.


Aprender com filmes e séries

Uma das melhores formas de perceber como a linguagem obscena em francês funciona no contexto é através dos meios de comunicação. Repara não só nas palavras que as personagens usam, mas também em como os outros reagem. O riso, o choque ou a indiferença ensinam-te o peso real da palavra.

Para francês metropolitano: Intouchables (2011) tem diálogo parisiense informal rico, com putain e merde frequentes. La Haine (1995), de Mathieu Kassovitz, mostra linguagem crua de banlieue, incluindo nique e derivados. Para francês do Quebeque: Bon Cop, Bad Cop (2006) é uma comédia bilingue que ensina explicitamente os sacres. Para francês belga: procura filmes dos irmãos Dardenne (Rosetta, L'Enfant) para diálogo valão naturalista.

Vê o nosso guia completo de os melhores filmes para aprender francês para mais recomendações. Também podes explorar os recursos de aprendizagem de francês da Wordy para aprender vocabulário em contexto enquanto vês conteúdo real.

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Considerações finais

A linguagem obscena em francês é um sistema culturalmente rico, moldado por séculos de história religiosa, expansão colonial e identidade regional. Eis as ideias principais:

O objetivo é compreender. Vais encontrar todas as palavras aqui se passares tempo a sério com o francês. Compreender a gravidade e o contexto cultural torna-te um ouvinte muito mais competente.

A geografia muda tudo. Os palavrões do francês metropolitano vêm do sexo e das funções corporais. Os do Quebeque vêm de vocabulário religioso católico. O francês belga mistura ambos com cor local. O francês africano francófono acrescenta influências do árabe e de línguas locais. A mesma intensidade emocional produz palavras completamente diferentes, dependendo de onde estás.

O contexto determina a gravidade. "Putain!" como exclamação isolada quase não se nota na fala casual parisiense. "Putain" dirigido a uma pessoa como insulto literal é realmente ofensivo. O tom, o público e a intenção determinam se uma palavra provoca riso ou conflito.

Na dúvida, não digas palavrões. Como falante não nativo, tens risco extra. Uma má pronúncia ou uma leitura errada da dinâmica social pode transformar uma palavra brincalhona numa ofensa. Compreende tudo, usa quase nada.

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Perguntas frequentes

Qual é o palavrão mais comum em francês?
'Putain' é o palavrão mais usado no francês da França metropolitana. Originalmente significava 'prostituta', mas hoje funciona como uma exclamação geral de surpresa, frustração, admiração ou raiva, semelhante a 'fuck' em inglês. Um estudo de corpus de 2018 encontrou-o como o impropério mais frequente em diálogos de filmes franceses.
Os palavrões em francês são diferentes em França e no Quebeque?
Sim, muito. Na França metropolitana, os palavrões vêm sobretudo de fontes sexuais e escatológicas ('merde', 'putain', 'enculé'). No Quebeque, a linguagem obscena, chamada 'sacres', baseia-se quase toda em vocabulário litúrgico católico: 'tabernac', 'câlice', 'ostie', 'crisse'. Têm no Quebeque a mesma carga emocional que os palavrões sexuais têm em França.
'Putain' é mesmo assim tão mau em francês?
'Putain' existe num espectro amplo. Como exclamação isolada ('Putain!'), é comum até em contextos semi-formais e aproxima-se de 'bolas!' ou 'raios!'. Dirigido a alguém como insulto literal, torna-se realmente ofensivo. O contexto, o tom e o público são decisivos. Entre jovens urbanos, é muito frequente na fala informal.
O que são os 'sacres' do Quebeque e porque é que são ofensivos?
Os 'sacres' são palavrões do Quebeque derivados de objetos e rituais católicos: 'tabernac', 'câlice', 'ostie', 'ciboire', 'crisse' e 'sacrament'. A força ofensiva vem da história profundamente católica do Quebeque. Até à Revolução Tranquila dos anos 1960, a Igreja controlava educação e vida social. Profanar o sagrado virou um ato de rebeldia linguística.
Que palavrões em francês devo evitar a todo o custo?
As expressões mais perigosas são as dirigidas pessoalmente a alguém: 'nique ta mère', 'enculé' (como insulto direto) e 'fils de pute'. No Quebeque, atirar 'tabernac' ou 'câlice' a alguém aumenta muito a ofensa. Regra geral, como exclamação é bem menos ofensivo do que quando é dirigido a uma pessoa.
Os franceses dizem mais palavrões do que os falantes de inglês?
A investigação sugere que falantes de francês integram palavrões na fala informal com mais liberdade do que muitas culturas anglófonas, sobretudo no inglês britânico. Um estudo sociolinguístico de 2019 de Dominique Lagorgette concluiu que universitários franceses usavam palavrões leves ('merde', 'putain') cerca de duas vezes mais do que britânicos em contextos semelhantes. Isto reflete normas de informalidade, não necessariamente falta de educação.

Fontes e referências

  1. Lagorgette, D. (2019). 'Insultes et registres de langue en français contemporain.' Langue française, 204(4), 35-52.
  2. Lodge, R. A. (2004). 'A Sociolinguistic History of Parisian French.' Cambridge University Press.
  3. Paquot, A. (2015). 'Les sacres québécois: histoire et sociolinguistique.' Presses de l'Université Laval.
  4. Jay, T. (2009). 'The Utility and Ubiquity of Taboo Words.' Perspectives on Psychological Science, 4(2), 153-161.
  5. Ethnologue (2024). 'French: A Language of France.' SIL International.

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