← Voltar para o blog
🇫🇷Francês

Palavrões em francês: 15 expressões comuns por nível de gravidade

Por Sandor20 de janeiro de 20269 min de leitura

Resposta rápida

Os palavrões em francês vão de exclamações leves como "Zut" (droga) e "Mince" (poxa) a insultos pesados como "Enculé" e "Nique ta mère". Diferente do inglês, a profanidade na França metropolitana costuma vir de vocabulário escatológico e sexual, enquanto no Quebec os xingamentos se baseiam quase totalmente em termos católicos (tabernac, câlice, ostie). Este guia reúne 15 termos essenciais, classificados por gravidade, para você entender conversas reais, filmes e séries.

Por que você precisa conhecer palavrões em francês

Você não consegue entender o francês real sem entender os palavrões. O francês é falado por mais de 321 milhões de pessoas em cinco continentes. E os xingamentos aparecem na conversa informal do dia a dia, no cinema, na música e nas redes sociais. Este guia não é para incentivar você a xingar. Ele serve para ajudar você a reconhecer e entender o que você inevitavelmente vai ouvir.

Os palavrões em francês funcionam de um jeito diferente do português (Brasil) em pontos básicos. Enquanto o português (Brasil) usa muitos xingamentos ligados a sexo e a escatologia, o francês se divide em dois sistemas distintos, dependendo da região. O francês metropolitano usa referências sexuais (putain, enculé), termos escatológicos (merde) e insultos ligados ao corpo (connard, salaud). O francês quebequense constrói quase todo o sistema de palavrões a partir de vocabulário litúrgico católico, um fenômeno que linguistas chamam de sacres, sem um equivalente real em outras línguas ocidentais.

"Os palavrões em francês não são apenas uma coleção de palavras tabu, mas um sistema sociolinguístico complexo que reflete séculos de tensões religiosas, sexuais e de classe. A divisão geográfica entre o xingamento metropolitano e o quebequense é um dos exemplos mais marcantes de divergência cultural dentro de uma única língua."

(R. Anthony Lodge, A Sociolinguistic History of Parisian French, 2004)

Segundo o Ethnologue (2024), o francês é língua oficial em 29 países. E cada região francófona desenvolveu seu próprio vocabulário de palavrões, moldado pela história e pela cultura local. Uma palavra que provoca risos em Paris pode causar ofensa real em Montreal. E expressões comuns em Abidjan podem ser totalmente desconhecidas em Bruxelas.

Se você ainda está aprendendo o básico, este guia vai mostrar um registro emocional que os livros didáticos ignoram. Veja nossa página de aprendizado de francês para mais recursos.

⚠️ Uma observação sobre uso responsável

Este guia tem fins educacionais e de compreensão. Usar essas palavras sem cuidado, como falante não nativo, pode ofender de verdade. Também pode criar situações perigosas. Regra de ouro: se você não xingaria naquele contexto na sua língua materna, não xingue em francês.


Entendendo a escala de gravidade

Severity Scale

Mild

Everyday expressions. May raise eyebrows in formal settings but generally acceptable among friends.

Moderate

Clearly vulgar. Common in casual speech but inappropriate in professional or formal contexts.

Strong

Highly offensive. Can provoke strong reactions. Use with extreme caution or avoid entirely.

O contexto muda tudo nos palavrões em francês. Murmurar "Merde!" quando você derrama café é leve. Gritar "Putain!" entre amigos próximos vendo um jogo de futebol é moderado. Chamar alguém de "Enculé!" numa briga de trânsito é forte e pode ser perigoso.


Expressões leves

Estes são termos de entrada que você vai ouvir o tempo todo na conversa cotidiana em francês e em filmes em francês. O uso frequente diminuiu bastante o impacto. E alguns quase não são considerados vulgares.

1. Zut

Leve

/zewt/

Droga: uma exclamação bem leve de frustração ou surpresa.

Uma das exclamações mais suaves do francês. É segura em quase qualquer contexto, inclusive perto de crianças e no trabalho. Muitas vezes vira 'zut alors!' para dar ênfase. Pessoas mais jovens podem achar um pouco antiquado, mas ainda é bem usado.

Zut, j'ai oublié mon parapluie!

Droga, esqueci meu guarda-chuva!

📍

Universal em todas as regiões francófonas. É uma das poucas exclamações em francês que quase não traz risco social.

2. Mince

Leve

/mahns/

Droga: um substituto eufemístico para 'merde.'

Funciona como a versão socialmente aceitável de 'merde'. Mantém o som inicial de 'm' e troca por uma palavra inofensiva (mince significa literalmente 'fino'). É muito comum entre pessoas que querem mostrar frustração sem usar palavrão. Muitas vezes vira 'mince alors!'

Mince, le magasin est déjà fermé!

Droga, a loja já está fechada!

📍

Universal em países francófonos. É bem comum em contextos familiares e em ambientes profissionais.

3. Merde

Leve

/mehrd/

Merda: o palavrão em francês mais reconhecido.

O equivalente francês de 'merda' em português (Brasil). É tão usado que perdeu muito do choque como exclamação. Curiosamente, artistas franceses dizem 'merde!' antes de entrar no palco, como no português (Brasil) dizemos 'quebra tudo' ou 'boa sorte' em tom de brincadeira. Dizer 'bonne chance' é visto como azar. A pesquisa de Timothy Jay (2009) aponta a palavra como uma das mais frequentes entre termos tabu nas línguas românicas.

Merde, j'ai raté le bus!

Merda, perdi o ônibus!

📍

Universal em todos os países francófonos. A palavra vem do francês antigo e aparece em textos do século XII. Na Bélgica, 'merde' tem o mesmo peso que na França.

4. Sacré bleu

Leve

/sah-KREH bluh/

Santo azul / Meu Deus do céu: um juramento arcaico que faz referência ao azul do manto da Virgem Maria.

Já foi um juramento realmente blasfemo (uma contração de 'sacré Dieu', Deus sagrado, modificada para evitar blasfêmia direta). Hoje, é quase totalmente arcaico. Falantes modernos de francês raramente usam sem ironia. Ele sobrevive principalmente em estereótipos em português (Brasil) e em outras línguas sobre franceses. Quando aparece hoje, costuma ser humorístico ou propositalmente antiquado.

Sacré bleu, il fait un froid de canard!

Meu Deus do céu, está um frio de rachar!

📍

Apenas na França metropolitana, e em grande parte obsoleto. Falantes mais jovens podem usar de forma irônica. É bem mais famoso entre falantes de português (Brasil) do que entre franceses de verdade.

5. Chialer

Leve

/shee-ah-LAY/

Chorar / Choramingar: sugere reclamação patética e exagerada.

Um verbo depreciativo que sugere que alguém está sendo melodramático ou fraco. Não é um palavrão clássico, mas funciona como um insulto leve. É comum na fala informal para mandar alguém parar de reclamar: 'Arrête de chialer!' (Para de choramingar!). É mais desdenhoso do que vulgar.

Arrête de chialer, c'est pas si grave.

Para de choramingar, não é tão grave.

📍

Comum tanto na França metropolitana quanto no Quebec. No Quebec, é ainda mais frequente e pode soar um pouco mais pesado.


Expressões moderadas

Os palavrões moderados são onde o francês fica realmente vulgar. Essas palavras são comuns em contextos informais (bares, entre amigos próximos, em trabalhos informais). Mas são claramente inadequadas em situações formais. Segundo Lagorgette (2019), a vulgaridade moderada em francês tem uma função crucial de solidariedade, ela sinaliza confiança e intimidade entre falantes. Você vai ouvir isso o tempo todo ao assistir filmes franceses ou ao ouvir conversas de nativos.

6. Putain

Moderado

/pew-TAHN/

Porra / Caralho / Puta: o palavrão em francês mais versátil e mais usado.

Originalmente significava 'prostituta'. Mas putain passou por um grande esvaziamento de sentido. Como exclamação, expressa de frustração a surpresa e admiração. Um estudo de corpus de 2018 sobre diálogos de filmes franceses encontrou a palavra como o xingamento mais comum. Ela se combina com outras palavras para dar ênfase: 'putain de merde' (porra de merda), 'oh putain' (puta merda). A versatilidade lembra 'porra' e 'caralho' no português (Brasil).

Putain, c'est magnifique ce coucher de soleil!

Caramba, esse pôr do sol é lindo!

📍

Dominante na França metropolitana e bem entendida em todas as regiões francófonas. No sul da França (Marselha, Toulouse), 'putain' aparece com frequência ainda maior, muitas vezes contraído para 'putaing' com final nasal.

7. Bordel

Moderado

/bohr-DEHL/

Bordel: usado como exclamação, tipo 'porra!' ou 'pelo amor de Deus!'

Literalmente significa 'bordel'. Mas funciona quase igual a 'putain' como exclamação sozinha. Muitas vezes vem com 'de merde' para dar força: 'Bordel de merde!' (puta que pariu). É um pouco menos comum que 'putain', mas tem peso parecido. Também descreve bagunça: 'C'est le bordel!' (Está uma zona!).

Bordel, qui a laissé la porte ouverte?

Porra, quem deixou a porta aberta?

📍

Principalmente na França metropolitana. Bem entendido na Bélgica e na Suíça. Menos comum no Quebec, onde os sacres dominam esse papel de exclamação.

8. Connard / Connasse

Moderado

/koh-NAHR / koh-NAHS/

Babaca / Vadia: vem de 'con' (vulva), um dos insultos mais comuns em francês.

'Connard' (masculino) e 'connasse' (feminino) são insultos padrão para uma pessoa burra e desprezível. Vêm de 'con' (um termo vulgar para genitália feminina, do latim 'cunnus'). Mas a maioria das pessoas não liga mais o insulto à origem anatômica. 'Con' sozinho significa 'idiota' e é mais leve: 'T'es con' (Você é idiota) é casual. Já 'connard/connasse' é um insulto de verdade.

Ce connard m'a coupé la route!

Aquele babaca me fechou no trânsito!

📍

Universal na França metropolitana. No sul da França, 'con' é usado tão livremente que vira quase uma muleta, parecido com 'boludo' no espanhol da Argentina.

9. Salaud / Salope

Moderado

/sah-LOH / sah-LOHP/

Canalha / Vadia: insultos com gênero que sugerem depravação moral.

'Salaud' (masculino) sugere um homem moralmente corrupto ou desprezível. 'Salope' (feminino) é bem mais ofensivo. Ele mistura ideia de promiscuidade sexual com desprezo geral. A assimetria lembra 'canalha' vs. 'vadia' no português (Brasil), a forma feminina costuma pesar mais socialmente. O ensaio de 1948 de Jean-Paul Sartre, 'Qu'est-ce que la littérature?', declarou de forma famosa 'tous les hommes sont des salauds' (todos os homens são canalhas).

Quel salaud, il a menti à tout le monde.

Que canalha, ele mentiu para todo mundo.

📍

Universal na França metropolitana e na Bélgica. No Quebec, 'salaud' é entendido, mas menos comum. Falantes quebequenses usam sacres com mais frequência para dar carga emocional.

10. Ta gueule

Moderado

/tah GUHL/

Cala a porra da boca: literalmente 'seu focinho.'

'Gueule' significa literalmente a boca ou o focinho de um animal. Dizer 'ta gueule' é o equivalente vulgar de 'ferme-la' (cala a boca). Entre amigos próximos, em tom de brincadeira, pode soar leve. Dito sério, é agressivo. A forma completa é 'ferme ta gueule' (fecha o focinho). Mas 'ta gueule' é bem mais comum.

Ta gueule, j'essaie de dormir!

Cala a porra da boca, estou tentando dormir!

📍

Universal em todas as regiões francófonas. É uma das primeiras expressões vulgares que muitas crianças francesas aprendem e usam.

11. Dégueulasse

Moderado

/day-guh-LAHS/

Nojento / Podre: uma expressão forte de repulsa ou condenação moral.

Vem de 'gueule' (boca/focinho), com o prefixo 'dé-' intensificando o sentido. Serve para coisas fisicamente nojentas ('Les toilettes sont dégueulasses', os banheiros estão nojentos) e para comportamentos moralmente condenáveis ('C'est dégueulasse ce qu'il a fait', o que ele fez é podre). Muitas vezes vira 'dégueu' na fala casual.

C'est dégueulasse, il a trompé sa femme trois fois.

Isso é podre, ele traiu a esposa três vezes.

📍

Universal na França metropolitana e na Bélgica. Muitas vezes abreviado para 'dégueu' na fala informal em todas as regiões.


Expressões fortes

Essas expressões podem acabar com amizades, começar brigas e causar dano real. Entender é essencial para compreender. Mas usar, como falante não nativo, quase sempre não é recomendável.

⚠️ Cuidado sério necessário

As expressões abaixo são altamente ofensivas. Algumas podem provocar violência física. Elas estão aqui só para fins educacionais, para você reconhecê-las na mídia ou em conversas.

12. Enculé

Forte

/ahn-kew-LAY/

Literalmente 'quem foi sodomizado': usado como insulto forte, tipo 'filho da puta' ou 'desgraçado.'

Um dos insultos de uma palavra mais fortes do francês. O sentido literal faz referência a sexo anal. E carrega conotações homofóbicas, o que deixa a palavra ainda mais pesada. É comum em brigas de trânsito ('Enculé, tu sais pas conduire!') e em estádios de futebol. Apesar da gravidade, aparece muito em fala informal quando a pessoa está exaltada.

Enculé, rends-moi mon argent!

Seu desgraçado, me devolve meu dinheiro!

📍

Principalmente na França metropolitana. A forma feminina 'enculée' existe, mas é menos comum. Na Bélgica, tem o mesmo peso. No Quebec, sacres são preferidos para a mesma intensidade emocional.

13. Foutre

Forte

/FOO-truh/

Foder: um verbo vulgar versátil, com muitas derivações e expressões.

Um verbo antigo do francês que significa 'foder' e gera várias expressões: 'je m'en fous' (não estou nem aí), 'va te faire foutre' (vai se foder), 'foutre le camp' (cai fora), 'fous-moi la paix' (me deixa em paz). A expressão 'va te faire foutre' é uma das dispensas mais fortes em francês.

Va te faire foutre, je ne veux plus te parler.

Vai se foder, não quero mais falar com você.

📍

Universal na França metropolitana. 'Je m'en fous' (não ligo) é tão comum que quase não soa vulgar. Já 'va te faire foutre' continua realmente forte. O particípio passado 'foutu' (fodido, arruinado) é moderado: 'C'est foutu' (Está fodido/arruinado).

14. Nique

Forte

/neek/

Foder: um verbo usado principalmente em insultos fortes e expressões vulgares.

Vem do árabe 'nik' (ter relação sexual). Esse verbo entrou na gíria francesa por meio da imigração do Norte da África. O uso mais notório está em 'nique ta mère' (foda-se sua mãe), um dos insultos mais ofensivos do francês. Também aparece em 'je nique tout' (eu estrago tudo, eu arrebento). É muito associado à cultura jovem das banlieues (subúrbios).

(No casual usage example: this word is primarily used in serious insults or very crude language.)

Esta palavra é usada quase só em insultos fortes ou contextos agressivos.

📍

França metropolitana, especialmente em áreas urbanas com grande diáspora norte-africana. A etimologia árabe é um bom exemplo de como a imigração molda os palavrões. É praticamente desconhecida no Quebec.

15. Casse-toi

Forte

/KAHS-twah/

Cai fora / Some daqui: uma ordem direta e vulgar para ir embora.

Uma ordem agressiva para alguém ir embora na hora. Ficou famosa no mundo em 2008, quando o presidente francês Nicolas Sarkozy disse a um provocador 'Casse-toi, pauvre con!' (Cai fora, seu idiota patético!) no Salon de l'Agriculture. O momento virou um episódio marcante do mandato. A frase mistura agressividade física ('casser' significa 'quebrar') com desprezo.

Casse-toi, je ne veux plus te voir!

Cai fora, não quero mais te ver!

📍

Principalmente na França metropolitana. No Quebec, é mais provável que usem 'décrisse' (de 'crisse', um sacre) com força parecida.


Comparação regional

A mesma emoção gera vocabulário muito diferente dependendo de onde o francês é falado. Veja como conceitos comuns variam no mundo francófono:

ConceitoFrançaQuebecBélgicaÁfrica Ocidental
"Porra!" (exclamação)Putain!Tabernac!Putain! / Nom de Dieu!Putain! / Wallaye!
"Merda!"Merde!Merde! / Câlice!Merde!Merde!
"Idiota/Babaca"ConnardNiaiseux / ÉpaisDikke nek (Bruxellois)Imbécile / Con
"Vai se foder"Va te faire foutre!Va chier! / Décrisse!Va te faire foutre!Va te faire!
"Droga" (leve)Zut! / Mince!Tabarnouche!Sapristi!Walaï!
"Cala a boca"Ta gueule!Farme ta yeule!Ta gueule!Ta gueule! / Ferme ça!

🌍 Sacres quebequenses: um sistema de palavrões feito a partir da Igreja

Os palavrões quebequenses formam um dos sistemas de xingamento mais únicos do mundo. Enquanto o francês metropolitano puxa de sexo e funções do corpo, o Quebec construiu quase todo o vocabulário vulgar a partir de objetos litúrgicos católicos: tabernac (tabernáculo), câlice (cálice), ostie (hóstia), ciboire (cibório), crisse (Cristo) e sacrament. Essas palavras podem ser encadeadas para aumentar a intensidade: "Ostie de câlice de tabernac!" equivale mais ou menos a "puta que pariu, que merda do caralho!" A linguista Annette Paquot (2015) liga o fenômeno à Revolução Tranquila dos anos 1960, quando quebequenses se rebelaram contra o domínio total da Igreja Católica sobre educação, saúde e vida social. Profanar objetos sagrados virou um ato linguístico de libertação cultural. Cada sacre também tem uma forma eufemística mais suave: tabernac vira tabarnouche, câlice vira câline, ostie vira ostination e crisse vira crime. Um falante do francês metropolitano, ao ouvir esses sacres pela primeira vez, muitas vezes acha estranho, e não ofensivo. Isso acontece porque as palavras não têm carga vulgar na França. Mas no Quebec, elas continuam sendo os palavrões mais fortes disponíveis.


Eufemismos em francês

O francês tem uma longa tradição de suavizar palavrões. Ele preserva o ritmo e os sons iniciais da palavra original. E troca por algo inofensivo:

Original (vulgar)EufemismoSignificado literal
Merde (merda)Mince / MercrediFino / Quarta-feira
Putain (puta/porra)Purée / PunaisePurê / Tachinha
Bordel (bordel)Bord de merBeira-mar
Nom de Dieu (nome de Deus)Nom d'un chienNome de um cachorro
Enculé (desgraçado)(sem eufemismo comum)-
Tabernac (Quebec)Tabarnouche(sem significado)
Câlice (Quebec)CâlineCarinho
Ostie (Quebec)Ostination(sem significado)

💡 Eufemismos como estratégia de aprendizado

Se você quer soar natural no francês informal sem risco, domine 3 a 4 eufemismos por região. Na França, Purée!, Mince! e Nom d'un chien! ajudam muito. No Quebec, Tabarnouche!, Câline! e Crime! são seguros e bem comuns. Eles mostram que você sabe expressar emoção na língua, sem cruzar limites sociais. Falantes de francês da Bélgica também usam bastante Sapristi! e Nom de nom! como exclamações leves.


Aprendendo com filmes e TV

Uma das melhores formas de entender como os palavrões em francês funcionam no contexto é pela mídia. Preste atenção não só nas palavras que os personagens usam. Observe também como os outros reagem. Risos, choque ou indiferença mostram o peso real da palavra.

Para o francês metropolitano: Intouchables (2011) tem diálogos informais parisienses, com muito putain e merde. La Haine (1995), de Mathieu Kassovitz, traz linguagem crua de banlieue, incluindo nique e derivados. Para o francês quebequense: Bon Cop, Bad Cop (2006) é uma comédia bilíngue que ensina explicitamente sobre sacres. Para o francês da Bélgica: procure filmes dos irmãos Dardenne (Rosetta, L'Enfant) para diálogos valões naturalistas.

Veja nosso guia completo de melhores filmes para aprender francês para mais recomendações. Você também pode explorar os recursos de francês do Wordy para aprender vocabulário em contexto enquanto assiste conteúdo real.

Para mais guias de idiomas, navegue pelo nosso blog ou comece sua jornada de aprendizado de francês com o Wordy.


Considerações finais

Os palavrões em francês formam um sistema culturalmente rico. Ele foi moldado por séculos de história religiosa, expansão colonial e identidade regional. Aqui vão os pontos principais:

O objetivo é compreender. Você vai encontrar todas as palavras deste guia se passar tempo de verdade com o francês. Entender gravidade e contexto cultural faz você ouvir melhor.

A geografia muda tudo. O xingamento do francês metropolitano vem de sexo e funções do corpo. O xingamento quebequense vem de vocabulário religioso católico. O francês da Bélgica mistura os dois, com cor local. O francês africano francófono adiciona influências do árabe e de línguas locais. A mesma intensidade emocional gera palavras totalmente diferentes, dependendo de onde você está.

O contexto define a gravidade. "Putain!" como exclamação isolada quase não chama atenção na fala casual de Paris. "Putain" dirigido a uma pessoa, como insulto literal, ofende de verdade. Tom, público e intenção definem se a palavra causa risos ou conflito.

Na dúvida, não xingue. Como falante não nativo, você corre mais risco. Uma pronúncia errada ou uma leitura social ruim pode transformar uma brincadeira em ofensa. Entenda tudo, use quase nada.

Quer ir além do francês de livro? Comece com as ferramentas de aprendizado de francês do Wordy e explore nossa coleção de guias de aprendizado de idiomas.

Perguntas frequentes

Qual é o palavrão mais comum em francês?
"Putain" é o palavrão mais usado no francês da França. Originalmente significava "prostituta", mas hoje funciona como uma exclamação geral de surpresa, frustração, admiração ou raiva, parecida com "fuck" em inglês. Um estudo de corpus de 2018 apontou que é o xingamento mais frequente em diálogos de filmes franceses.
Os palavrões em francês são diferentes na França e no Quebec?
Sim, muito. Na França, os palavrões vêm sobretudo de fontes sexuais e escatológicas ("merde", "putain", "enculé"). No Quebec, a profanidade, chamada de "sacres", usa quase só vocabulário litúrgico católico: "tabernac", "câlice", "ostie", "crisse". Essas palavras têm no Quebec a mesma carga emocional que a profanidade sexual tem na França.
"Putain" é tão pesado assim em francês?
"Putain" varia bastante conforme o uso. Como exclamação isolada ("Putain!"), é comum até em contextos semi-formais e equivale a "droga!" ou "caramba!". Quando dirigido a alguém como insulto literal, vira ofensivo de verdade. Contexto, tom e público definem tudo. Entre jovens urbanos, a palavra ficou mais "desgastada" e aparece muito na fala casual.
O que são os "sacres" do Quebec e por que eles ofendem?
Sacres são palavrões do Quebec derivados de objetos e rituais católicos: "tabernac", "câlice", "ostie", "ciboire", "crisse" e "sacrament". A força ofensiva vem da história católica da província. Até a Revolução Tranquila dos anos 1960, a Igreja controlava educação, hospitais e a vida social. Profanar o sagrado virou um ato de rebeldia linguística. Hoje, ainda soam bem vulgares no Quebec.
Quais palavrões em francês eu devo evitar a qualquer custo?
As expressões mais perigosas são as direcionadas a alguém: "nique ta mère" (foda-se sua mãe), "enculé" (como insulto direto) e "fils de pute" (filho da puta). No Quebec, usar "tabernac" ou "câlice" contra alguém aumenta muito a ofensa. Em geral, um palavrão como exclamação é bem menos ofensivo do que o mesmo termo apontado para uma pessoa.
Os franceses xingam mais do que falantes de inglês?
Pesquisas sugerem que falantes de francês inserem palavrões na fala casual com mais liberdade do que muitas culturas anglófonas, especialmente no inglês britânico. Um estudo sociolinguístico de 2019, de Dominique Lagorgette, observou que universitários franceses usavam profanidade leve ("merde", "putain") cerca de duas vezes mais do que britânicos em situações sociais comparáveis. Isso reflete normas de informalidade, não necessariamente grosseria.

Fontes e referências

  1. Lagorgette, D. (2019). "Insultes et registres de langue en français contemporain." Langue française, 204(4), 35-52.
  2. Lodge, R. A. (2004). "A Sociolinguistic History of Parisian French." Cambridge University Press.
  3. Paquot, A. (2015). "Les sacres québécois: histoire et sociolinguistique." Presses de l'Université Laval.
  4. Jay, T. (2009). "The Utility and Ubiquity of Taboo Words." Perspectives on Psychological Science, 4(2), 153-161.
  5. Ethnologue (2024). "French: A Language of France." SIL International.

Comece a aprender com o Wordy

Assista a clipes reais de filmes e aumente seu vocabulário enquanto avança. Download grátis.

Baixe na App StoreBaixe no Google PlayDisponível na Chrome Web Store

Mais guias de idiomas

Palavrões em francês: 15 expressões por gravidade (2026)